Mais uma vez

E mais uma vez, o roteiro se repete.

Lá vou eu guardar as roupas novas, o perfume novo, as expectativas nem tão novas assim…  Cá estou novamente, colocando na minha caixinha toda a empolgação que sobrou por nada.

Mais uma vez, não sei o que fazer com tanto sentimento dentro do peito. Não tenho ideia de onde levar esse excesso de doação que ficou sem resposta. Jogo fora? Guardo pra mais tarde? Escondo debaixo da cama? Não sei.

Me preparo para não recomeçar. Afinal, não há recomeço quando já se está no ponto inicial. Não há recomeço onde não houve nada.

E cada vez que “termina”, tenho a impressão de que a espera não termina nunca. 

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inesperado

‎- você é daquelas pessoas que nunca sabem pra onde vão, mas vão do mesmo jeito, né?
– sou?
– é e isso é a coisa mais bonita em você.

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O fim

Só depois de aceitar o fim, resolvi encarar novamente suas palavras. Palavras essas que já foram minhas, embora eu nunca tenha me encontrado nelas.
Mas seus versos agora tem dona. Mesmo sem conhecê-la, ah, como gosto dessa menina… Faço leitura à seus olhos e ela me parece encanto, leveza e doçura, tudo junto e sem enjoar.
Tudo ao contrário de mim, tudo aquilo que você não conheceu. Leveza não combina comigo, embora você jure de pés juntos que sou toda flutuante. Leveza definitivamente não é pra mim. Gosto do que explode, do que rasga, do que faz barulho.
Antes que você discorde de minha posição: não é e nem nunca foi conformismo. Se surpreenderia ao saber o tanto que fiz para estar ali, todas as vezes. Por favor, não entremos em mérito de culpas, não nos cabe essa posição. Talvez seja por isso que tenha optado pelo silêncio diante de suas acusações. É preciso tomar o lugar do outro e aceitar que pessoas pensam e agem de maneiras diferentes, é inevitável. Enquanto o ser humano não entender isso, a paz será certamente uma utopia.
Mas confesso que encarar a nova realidade às vezes é um tiro no peito. Sem piedade. Por sorte, é bala que não se aloja. Atravessa e sai pela culatra.
É uma dor que não sabe ficar, é inquieta. Tenho a sorte de ser alguém que sofre muito, mas por pouco tempo. Sem lágrimas, sem drama, só uma dorzinha incômoda e teimosa.
Sofrer pelo desconhecido. Sofrer pelo que não se sabe que perdeu, porque também nunca soube como ganhar… Mal sabia se queria ganhar, se devia, se ‘ganhar’ era mesmo uma opção…
A verdade é que fomos nós, de certa forma só nossos e de tantas outras formas, um do outro. Do nosso jeito, era tudo e era nada.
Tivemos tudo onde o nada imperava por nossa própria imposição.
Mas fomos de verdade e é só isso que importa.

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Do verbo crescer

Crescer. Eu cresço, tu cresces, ele cresce, todo mundo cresce. O verbo mais triste de se conjugar desde sempre. Muito mais triste do que conjugar o verbo chorar ou perder. Uns choram mais, outros menos. Uns já perderam muito, outros desconhecem essa sensação.  Agora, crescer não tem escapatória – mesmo.

Presentes a menos, contas a mais. Brincadeiras com horário marcado e vista grossa do Sr. Supervisor Tempo (que é na verdade um grande desocupado e por isso não faz mais nada a não ser passar batido nas horas legais e se rastejar quando bocejar vira passatempo). SONHOS que resolvem mudar o nome para PLANOS ou METAS e, portanto, perdem o tom gostoso de fantasia que vinha aliado à palavra e agora, soam como obrigatoriedade do mundo real para parecerem e serem levados mais a sério – só por isso.

Um dos problemas em crescer é que mal caibo na cama dos meus pais. E o pior: todas as vezes que eu quero desesperadamente aquele espaço, ainda é dia. Todos os meus monstros de dois metros de altura, todas as bruxas que me perseguem com suas vassouras e risadas diabólicas e todos aqueles demônios que querem puxar meu pé não agem quando a noite cai. Estão sempre lá, à espreita, seja às 8 da manhã, seja às 3 da tarde. Eles são sacanas: querem mais é aparecer mesmo.

Mas a parte mais dolorosa do crescer está em compreender que alguns medos que você carrega jamais vão desaparecer enquanto você não assumi-los. Medos não nasceram pra ser ignorados. A cama de seus pais não vai estar lá pra sempre… É você no mundo, tentando de todas as maneiras possíveis não ser só mais um. E é difícil deixar de ser só mais um quando se tem medo de ter coragem demais.

Crescer dá medo, porque não tem volta. Dias a mais, são ironicamente dias a menos.

E todos os anos perto do meu aniversário acabo escrevendo sobre isso… E todas as vezes chego à mesma conclusão: SÓ PODE SER INFERNO ASTRAL.

 

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Augusta

Dona Augusta tem nome de senhora, e apesar da idade avançada nunca deixou de ser adolescente. Tem um coração bom que bombeia alegria e uma pitada de loucura por todas as veias cruzadas de sua extensão. A senhora que nunca dorme, abriga as diferenças. Espaçosa, aconchegante e folgada. Te convida pra entrar e quase sempre se recusa a te deixar ir embora. À noite te serve drinques e diversão, pela manhã, um bom café e muita preguiça.

Sempre contra o tempo e a favor de todo bon vivant, ela engana caprichosamente os relógios – nunca é tarde demais. Cores mergulhadas em copos de cerveja… Luzes por todos os lados, rostos que desfilam contentes na passarela iluminada. Dentro dos casebres, segredos alucinógenos. Os corações jovens nas pistas numa arritmia natural de quem vive rápido e intensamente, ritmo ditado a todo instante pelas músicas que por lá, nunca param.

Os amigos em uníssono gargalham, contando em voz alta os casos e caos da vida. Pelas calçadas, mesas espalhadas em zig e zag e corpos apertados em poucos metros cúbicos. O mendigo que pede um trocado, apela para a sinceridade e assume que é para sustentar o vício.

A Augusta embriaga os visitantes de euforia. Me sinto em casa quando ela abre as portas.

Se essa rua, ah, se essa rua fosse minha… Eu ia cuidar para que ela fosse assim para sempre.

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Ano novo e o de sempre

Do outro lado do muro, pelas ruas, nas outras casas da cidade, nas rodovias, praias, e todos os outros lugares, pessoas contam os minutos pra virada do ano novo. Mas ainda é ano presente e não tenho pressa.

Sem roupa branca, sem calcinha nova colorida, sem penteado ou maquiagem. Nada. Um short jeans básico, uma camiseta confortável e pés descalços no chão como sempre.

Aqui dentro uma paz que custou a reaparecer. Alguns sustos e decepções do ano presente me levaram até um ponto de anestesia: doeu tanto que me acostumei. Bem como os momentos de alegria, me banhei de êxtase e deixei-me anestesiar. O costume, que se disfarça de indiferença, na verdade, na grande maioria das vezes não passa de distração. A atenção em todas as coisas me foge, e então liberdade plena pra pensar ou sentir nada por alguns instantes, como agora.

E todas as desconexões das linhas do meu pensamento… Toda essa minha despreocupação em ser coerente…Todas essas contradições e confusões do que sou, do que quero, do que penso. Sei que um ano novo vai entrar, mas afinal, o que isso representa? A linha imaginária da quantidade de dias contidos dentro de um prazo estabelecido sabe se lá por quem…

O ano, ainda é presente. Sou a mesma e bem provavelmente continuarei a mesma daqui a algumas horas. Dessa vez, não me faço promessas, sou campeã em não cumprir nenhuma delas. Sou leal a todos, mas não a mim mesma.

Dessa vez, nada. Não vou esperar ligações ou mensagens. Não vou pular as sete ondas ou beijar na boca quem estiver ao meu lado. Nada de lentilha e gororobas que dizem dar sorte. Absolutamente nada.  Dessa vez nada, porque há mais espaço pra surpresas, mais espaço pro desconhecido, menos espaço pros scripts pré estabelecidos socialmente. “Falo de uma entrada em um novo ano abrindo as portas e janelas da casa e da alma.” Eu em paz e quem mais quiser fazer parte disso e de mim, ontem, hoje e de agora em diante. E é só isso que importa.

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Força é algo relativo.

Às vezes a gente dá, outras, pede emprestado.

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